Um pouco de mim, alguns dos meus sonhos, vários devaneios e muitos delírios.

domingo, 12 de dezembro de 2010

POESIA DE UM AMIGO



Um grande amigo meu, enviou-me essa poesia e autorizou a posta-la aqui...



À sombra de meu velho violão me refugio da luz artificial que me cega a poesia.
Num mundo estranho onde tudo é estranho a mim, fico sem saber como agir.
A sordidez das máscaras que me obrigam a usar já apodrece meu rosto. A sinceridade é um passaporte para o deserto.
Sou um homem do deserto. Sou profundo demais para os que têm pulmões fracos. Sou escuro, sombrio... labirinto. Tenho um dragão de sete cabeças lá dentro. Ali mora meu mais precioso eu. De lá meu eu dança. Meu dragão é o meu lado mais frágil, meu eu-menino é meu lado mais forte.
Um buraco negro.
Espada em punho e um coração vazio como os olhos de uma caveira.
Se corro, voo ou desapareço, sempre vejo a mesma paisagem morta. Pessimista, eu? Pessimismo é o meu lado mais otimista. Eu sou o toque lúgubre de minha flauta. Eu me tornei Lá Menor ao dedilhar meu violão olhando para o céu fosco e silente de minha Terra clamando por respostas.
Eu.
Meus livros, pobres vícios... Companheiros inúteis. Dependência de símbolos alfabéticos que se amontoam e formam cálices que bebo, que me bebem, que me fazem mais e mais frio, monstro, visagem, berrador, lobisomem, coruja, predador, menino-que-pensa-em-forma-de-fogo-e-lava-de-vulcão, que respira furacões e expira terremotos e que sorri fazendo estrelas se tornarem anãs brancas.
Eu sou um autofágico. Eu sou feito de antimatéria. Eu sou um antiarquiteto.

Rovilson Ribeiro

Vitória da Conquista, 2010

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